Engenheiros, de um modo geral, tendem a ter raciocínio cartesiano, motivados pela formação através das ciências exatas e das matérias tecnológicas exigidas na sua profissão. Diante do desafio de desenvolver um projeto para efetivar um bem, nos concentramos nele e dele fazemos um fim, com o intuito único de fornecer funcionalidade, satisfação e utilidade. Por décadas foi isso que fizemos, muitas vezes sem considerarmos o que estava no entorno. A sociedade, de forma geral, interferiu no meio em que vive, construindo, desmatando, plantando e estabelecendo modos de vida e de sobrevivência. Hoje temos a dimensão do passivo ambiental do qual somos responsáveis. Desde a dona-de-casa até o maior empreendedor do planeta.
Os alertas dos ambientalistas responsáveis, excetuados os ecoxiitas, e as descobertas dos últimos anos acenderam a luz vermelha: os recursos naturais têm de ser usados com responsabilidade e cuidados para que sejam perenes e sustentáveis, dando oportunidade para que o seu desfrute se estenda pelas gerações futuras. O setor tecnológico, do qual fazemos parte, avançou nesse sentido. A legislação também e a sociedade se movimenta no sentido de ter outro comportamento em relação ao meio em que vivemos.
Hoje não é mais possível pensarmos o desenvolvimento como uma ação isolada, de construir, mudar o meio sem nenhuma preocupação além da obra. Essa nova postura está, inclusive, mudando o mercado. Investimos cada vez mais em obras que produzam poucos resíduos e empreendimentos que, dentre outras virtudes, consumam menos água e energia elétrica, incluindo dispositivos de utilização de água da chuva e que interfiram o menos possível nas estruturas existentes.
Há empresas na região de Ribeirão Preto que trabalham na pesquisa e desenvolvimento de matérias-primas ambientalmente corretas, como a resina plástica extraída da cana-de-açúcar, e que transformam em algo útil o que antes era depositado, sem critério, na natureza, como é o caso dos pneus.
A legislação ambiental e as práticas sustentáveis conscientes têm de ser vistas como oportunidades de negócios para engenheiros, arquitetos e agrônomos que trabalham diretamente com a transformação do meio em que vivemos.
Trabalhar em cima do assunto é dever de todos e a natureza agradece.
Eng. Civil Roberto Maestrello
Presidente da AEAARP