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Instituto de Arquitetos do Brasil
ART

FALA PRESIDENTE

As grandes cidades brasileiras produzem aproximadamente 170 mil toneladas de lixo por dia. Desse total,somente 149 mil toneladas são coletadas, porém, com destino muitas vezes não convencional ou mesmocirregular, como é o caso do restante conhecido oficialmente, que vai para aterros clandestinos, incluindo-secaí áreas de proteção ambiental, várzeas, terrenos baldios, nas laterais de vicinais etc.

Em Ribeirão Preto, de 2007 a 2009, a produção de lixo aumentou 21%: de 471 toneladas para quase 570 descartadas diariamente. O destino dos resíduos que produzimos, e que refletem diretamente no meio ambiente, é um problema de saúde pública que merece ação efetiva da sociedade além de ter um importante viés econômico. A indústria já sabe como ganhar dinheiro com isso e nesta edição da revista Painel dois importantes exemplos são mostrados.

Na Semana do Meio Ambiente a AEAARP pôde aprofundar temas que são reiteradamente expostos na Painel, como a própria gestão dos resíduos e a dos recursos hídricos. Fica-nos sempre a sensação de “déjàvu”, de que aquela cena ou discurso se repete há vários anos, em vários formatos e oportunidades. O que assistimos a cada ano é o aumento da produção de resíduos e a falta de políticas públicas, em todas as esferas do poder, para adotar ações que brequem o uso irresponsável do meio em que vivemos.

São sobejamente conhecidos os exorbitantes e políticos gastos com o custeio da máquina publica em detrimento daquele com infraestrutura de toda natureza em todo o país.

Para se ter uma ideia, nossa cidade produz, diariamente, além das 570 toneladas de lixo doméstico, outras 1.500 toneladas de resíduos da construção, que deveriam estar sendo depositados em locais apropriados
para a devida reciclagem, mas quase todos os dias são descobertas deposições totalmente irregulares e criminosas. Pela lei, o responsável pelos resíduos é o gerador (a obra, a indústria, o comércio, enfim, a atividade geradora), ficando como corresponsáveis o transportador e recebedor, que incorrem em crime, se destinam o resíduo em locais não licenciados para tal fim. Cabe ao poder público ditar as regras, as normas e a fiscalização à luz da lei. O mesmo (poder público) que deveria ser proativo, infelizmente anda a reboque dos acontecimentos, pois sequer consegue fiscalizar as grandes obras, que têm endereço sabido, destacam-se por sua evidência no contexto urbano e movimentam diariamente inúmeras caçambas e até muitos caminhões de entulho.

Muitas vezes a fiscalização por ser deficiente só toma conhecimento dos fatos após denúncias ou por algum acontecimento grave de desrespeito às normas e ao meio ambiente. Se o comportamento com as grandes é assim, o que dizer das milhares de pequenas reformas e obras, a maioria clandestina, que acontecem nos mais distantes bairros e rincões esquecidos da imensa malha urbana?

Há anos a AEAARP associada ao SINDUSCON e a outras entidades tem, através de trabalhos que se tornaram conhecidos de todos, mostrado a fundamental importância do recolhimento, transbordo, deposição e reciclagem dos resíduos, trabalho que deve ser desenvolvido pela iniciativa privada e fiscalizado pelo poder publico, numa equação em que todos saem ganhando, principalmente o meio ambiente e o homem.

O cidadão comum recebe a todo momento um sem-número de informações que o orientam a reciclar, a não gastar água e energia elétrica desnecessariamente. Porém, além de culturalmente não ter o hábito, na maioria das vezes também não tem acesso à coleta seletiva. É, nesse campo, que alguns setores da iniciativa privada também dão o exemplo, ao disponibilizar recipientes de coleta seletiva em seus estabelecimentos comerciais, como os supermercados, também incentivando o uso de sacolas retornáveis.

Se esses princípios não funcionarem com certa efetividade, todos nós perdemos. E a reportagem principal desta edição vai mostrar isso, além da cobertura de todas as palestras da Semana do Meio Ambiente, que atraiu centenas de jovens e profissionais à sede da Associação.

Eng. civil Roberto Maestrello
Presidente da AEAARP

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